A marca

No Brasil desde 1933, a Fiszpan tem suas raízes quatro gerações atrás, na Polônia. Tradição caminhando ao lado da modernidade. O fôlego da marca se deve justamente ao fato de acompanhar tendências e se renovar a cada estação.

A marca carioca de acessórios de moda, que acompanha gerações de mulheres há 85 anos, comercializa, hoje, mais de 14.000 itens entre perucas, apliques e acessórios como bolsas, carteiras e bijoux.

 

Fiszpan 85 anos por Marcia Disitzer

A história da Fiszpan se confunde com a do Rio. Em 1933, Mauricio Fiszpan, ao lado do seu pai, Herko, trocou a gelada Polônia pelo calor da Cidade Maravilhosa. A então capital federal era promessa de dias melhores, mais leves e ensolarados do que o país europeu, que, em 1939, foi invadido e devastado pelo nazismo. Hoje, passados 85 anos, a Fiszpan renova os seus votos de amor à cidade e é exemplo de adaptação e renovação contínua. A família, que começou a trabalhar com perucas ainda na Polônia, mantém o espírito desbravador de Mauricio sem perder a ternura jamais. E, afinada com o espírito do tempo, demonstra ser a mistura exata da tradição com a modernidade.

Essa longeva história teve o seu começo no coração do Rio. O primeiro ateliê foi inaugurado em 1933 na Praça Tiradentes; a icônica loja número 1 abriu as portas em 1972 na Rua Sete de Setembro e permanece como testemunha de modos, “modas” e manias. Os seis pontos de venda da marca — Rua Sete de Setembro, Rio Sul, Barra Shopping, Copacabana, Ipanema e Tijuca, além do e-commerce — hoje servem de cenário para a comunhão de avós, mães e filhas, sempre em busca de novidades. Às perucas, que foram uma verdadeira febre nos anos 1970 (era costume ter vários modelos no armário), somaram-se os acessórios. Na década de 80, entraram em cena pentes e fivelas de cabelo. Com o sucesso, vieram lenços, brincos, carteiras, bolsas, cintos, echarpes, pulseiras e muito mais. Atualmente, a marca comercializa 14 mil itens, que retratam a democratização da moda. As perucas e os tecnológicos apliques continuam enfeitando as mulheres, que hoje desfrutam da liberdade de ser o que quiserem.     

Nesses 85 anos, a Fiszpan promoveu eventos inesquecíveis. O desfile que celebrou os 60 anos da empresa nos salões do Copacabana Palace fez com que jornalistas de moda da época tivessem a ideia de criar uma premiação — e assim nasceu o Prêmio Rio Sul de Moda e a era dos desfiles patrocinados por shoppings. Inventiva, no aniversário de sete décadas, convidou stylists para transformarem celebridades em personagens da história da moda do século XX, como a emblemática modelo dos anos 1960, Twiggy, e a futurista Barbarella, vivida no cinema por Jane Fonda. Tudo isso em meio a muitos brindes num endereço nobre, o Palácio da Cidade.

Ponto cativo de fashionistas, a Fiszpan incentiva a expressão individual ao oferecer uma infinidade de acessórios e perucas com cortes contemporâneos. É lá — e nas redes sociais da marca — que a diversidade faz a festa. Para o verão 2019,  peças artesanais de madeira pintadas à mão vão se misturar a acessórios coloridos de cabelo e a perucas com luzes. E, além de vender beleza, a Fiszpan compartilha autoestima: já doou mais de 1.800 perucas por meio da parceria com o INCAvoluntário. 

De olho no futuro e orgulhosos do passado, Moyses, Solange e Daniela Fiszpan, pai, mãe e filha, têm motivos de sobra para festejar. A marca que atravessou décadas sem perder o bonde da moda continua com o faro fashion apuradíssimo e está pronta para mais 85 anos. 

Vamos erguer um brinde?

 

Fiszpan 80 anos por Adriana Bechara

Lembro de quando era pequena e tinha que entrar em bancos, farmácias e lojas com a minha mãe e sempre achava aquilo chato. Mas quando a gente entrava na Fiszpan, um novo mundo se abria. Aquela inigualável variedade de objetos, cores e texturas, todos para nos enfeitar, abria meu apetite fashion imediatamente. Sim, a Fiszpan antecede minha vida adulta (e como!) e, embora venda bijuterias, é uma joia rara da moda nacional que chega aos seus 80 anos com um corpinho de 20. É também um modelo raro de inovação, diversificação e adaptação tanto para o mundo corporativo tradicional, quanto para a empresa familiar que continua sendo. Imagine que o Sr. Mauricio Fiszpan desembarcou no Brasil trazendo o know how de perucas da Polônia no ano de 1933 e que quando falamos “perucas”, não me ocorre outro nome que defina melhor o recurso adaptado aos dias de hoje.

Nessa trajetória longeva foi preciso encarar crises e encontrar oportunidade na adversidade sem jamais perder o entusiasmo e o espírito de celebração. Contemporânea do Copacabana Palace, a Fiszpan celebrou seus 60 anos nos salões do Copa com um grande desfile. Inspirador, foi o ponto de partida para a criação do Prêmio Rio Sul de Moda e posteriormente a semana carioca de moda. Ao completar 70 anos, eu estava no auge da minha carreira de stylist e fui convidada ao lado de outros colegas, para transformar atrizes em ícones históricos. Juliana Knust virou uma Marlene Dietrich provocadora, numa festa de arromba no Palácio da Cidade. Inesquecível!

De lá para cá, incontáveis foram as vezes que nós, da imprensa especializada em moda e beleza, recorremos à Fiszpan atrás de lenços, bolsas, colares, prendedores de cabelo, brincos, cintos, enfim, são 14 mil itens impossíveis de serem enumerados ou descritos aqui. Todos supérfluos de primeira necessidade para uma mulher moderna e vaidosa, que vai da feira ao baile, sempre bem “acessorada”, sem perder a pose e o brilho individual. Porque nada pode ser mais autêntico no estilo feminino, como o jeito de combinar e misturar bijus, acessórios e penteados. E prever isso há décadas atrás, é coisa de gente visionária, que faz história mesmo.

Hoje sob a batuta de Solange Fiszpan e com Daniela Fiszpan nas áreas de marketing e estilo, perucas e apliques otimizados pela tecnologia ganham uma coleção exclusiva de cortes assinados pelo águia da beleza Fernando Torquatto (grande sacada!). Por outro lado, mais de 1.100 já foram doadas ao Inca (genial!). Nos acessórios, as mais bacanas tendências aliadas a qualidade e preços competitivos estão nos pilares de uma marca democrática, mas cheia de personalidade. Espero estar por aqui para celebrar a próxima década. Porque não importa mais qual vai ser a moda ou a tendência do momento. Importa é que a história se faz com quem não perde o bonde dos acontecimentos, com quem tem faro para rastrear o novo, com quem consegue se reinventar para continuar sendo o mesmo. Prova gabaritada? É hora de comemorar. Vamos fazer um brinde?


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